Dr. Henrique Djosci Coêlho de Sá
CRM-TO 7837 · RQE em tramitação · Médico de Família e Comunidade
Médico. Autista. Diagnosticado aos 31.
A história
Eu passei a vida inteira funcionando. Tirava notas boas, fazia amigos suficientes, dava conta. Mas por dentro havia um esforço constante que eu não conseguia explicar — e que ninguém ao meu redor parecia fazer. Eu ensaiava conversas antes de ter. Decorava expressões faciais. Criava roteiros sociais que pareciam naturais para os outros, mas que para mim eram trabalho.
Fui diagnosticado autista aos 31 anos, durante a residência em Medicina de Família e Comunidade na UnirG, em Gurupi. O diagnóstico não mudou quem eu sou — reorganizou tudo retroativamente. As dificuldades que eu atribuía a defeitos de caráter ganharam explicação. O cansaço crônico ganhou nome. E a sensação de estar sempre traduzindo o mundo ganhou contexto.
A residência em MFC me ensinou a olhar para a pessoa inteira — não para o sintoma isolado. Isso mudou a forma como eu entendo autismo em adultos: não como uma lista de critérios, mas como um padrão que atravessa a vida inteira e que, quando reconhecido, reorganiza o cuidado.
A TEA nasceu da constatação de que o caminho entre "acho que sou autista" e uma resposta clínica honesta é, para a maioria das pessoas no Brasil, inacessível. O custo é alto, a fila é longa, a distância geográfica é real, e muitos profissionais ainda não sabem reconhecer autismo em adultos que aprenderam a camuflar. Eu quis construir um caminho que fosse acessível, honesto e clinicamente sério — porque foi o que eu gostaria de ter encontrado.