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GAD-7

Generalized Anxiety Disorder Scale

7 itens · ~3 minutos · Spitzer et al., 2006

Aviso: Esta triagem não constitui diagnóstico médico. Os resultados são informativos e não substituem avaliação profissional.

O que é o GAD-7

O GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder-7) é um instrumento de rastreamento de ansiedade generalizada desenvolvido por Spitzer, Kroenke, Williams e Löwe, publicado em 2006. Ele avalia a frequência de sete sintomas ansiosos nas últimas duas semanas.

O GAD-7 é de domínio público, está validado em português brasileiro, e é o instrumento de rastreamento de ansiedade mais utilizado no mundo — tanto em atenção primária quanto em pesquisa e triagem online. Ele faz par com o PHQ-9 (depressão), e os dois são frequentemente aplicados juntos.

Por que o GAD-7 está aqui

Ansiedade é a comorbidade psiquiátrica mais prevalente no TEA adulto, presente em estimativas de 40% a 50% dos casos. Mais do que isso: ansiedade é frequentemente a porta de entrada para a suspeita de autismo.

A trajetória típica é algo como: a pessoa sempre foi ansiosa, buscou tratamento para ansiedade, melhorou parcialmente, mas nunca conseguiu eliminar completamente a sensação de que algo mais estava acontecendo. Em muitos casos, a ansiedade em autistas não é um transtorno separado — é consequência direta de navegar um mundo que não foi projetado para seu perfil neurológico. Sobrecarga sensorial, imprevisibilidade, demandas sociais contínuas e o esforço de masking são geradores crônicos de ansiedade.

Mapear a ansiedade ajuda o profissional a entender o que tratar primeiro e o que é causa versus consequência.

Como interpretar os resultados

O escore total varia de 0 a 21 pontos. As faixas de severidade são:

0 a 4 — ansiedade mínima. Sintomas ansiosos não são um problema significativo no momento.

5 a 9 — ansiedade leve. Pode refletir estresse situacional ou ansiedade subclínica.

10 a 14 — ansiedade moderada. Geralmente justifica acompanhamento profissional.

15 a 21 — ansiedade severa. Requer atenção profissional.

Assim como o PHQ-9, o GAD-7 é uma fotografia de duas semanas. Em autistas, a ansiedade pode ter picos muito ligados a contexto — períodos de maior demanda social, mudanças de rotina, ou sobrecarga sensorial podem produzir escores temporariamente mais altos.

Ansiedade versus sobrecarga autista

Uma das dificuldades clínicas mais comuns é diferenciar ansiedade generalizada de ansiedade secundária ao autismo. Os sintomas se sobrepõem, mas os mecanismos são diferentes:

Na ansiedade generalizada clássica, a preocupação é tipicamente sobre cenários futuros hipotéticos e tende a ser desproporcional à situação real.

Na ansiedade ligada ao autismo, os gatilhos costumam ser concretos e identificáveis: situações sociais ambíguas, mudanças inesperadas na rotina, ambientes com sobrecarga sensorial, e a antecipação de situações que exigem masking intenso. Essa ansiedade não é irracional — é uma resposta compreensível a demandas genuinamente excessivas.

O GAD-7 não faz essa diferenciação. Mas saber que você tem ansiedade elevada, combinado com os resultados dos outros instrumentos (RAADS-R, AQ-50, CAT-Q), ajuda o profissional a montar o quadro.

Limitações

O GAD-7 foi projetado para ansiedade generalizada — ele pode não capturar bem outras formas de ansiedade comuns em autistas, como ansiedade social intensa, fobias específicas, ou a ansiedade de performance ligada ao masking.

Alexitimia (dificuldade em identificar e nomear emoções, presente em muitos autistas) pode levar a escores subestimados — a pessoa sente desconforto crônico mas não o identifica como ansiedade.

Se você está investigando autismo, os instrumentos mais relevantes para essa investigação são o RAADS-R, AQ-50 e CAT-Q. O GAD-7 e o PHQ-9 estão aqui para mapear comorbidades — não para avaliar autismo.

Referência: Spitzer, R. L., Kroenke, K., Williams, J. B., & Löwe, B. (2006). A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7. Archives of Internal Medicine, 166(10), 1092–1097.

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